domingo, julho 24, 2005

Na busca pela mediocridade!

Já sabíamos desde o início, que este mandato não iria ser fácil. Teríamos que trabalhar para retirar a nossa JS do marasmo, quer político, quer estrutural que emperravam o dia a dia da nossa organização. Sabíamos que avançar com reformas estruturais na organização, iria incomodar muitos interesses instalados.
Eleições harmonizadas nos núcleos, concelhias e federações obrigavam a JS a trabalhar na estrutura durante 3 meses de um ano, deixava caminho livre para discutirmos política durante os 9
meses seguintes.
Regularizarmos as transferências era um imperativo moral e estrutural, para quem percebeu como se habituou a organização a ter "militantes saltitantes" conforme o vento das eleições.
Os Estatutos não serviam para regular as relações de "Uma Organização", serviam para quando dava jeito afastar os que se opunham ao "status quo" ou quando não dava jeito a leitura tornava-se pesada e complicada, o que implicava deita-los fora e utilizar o gosto pessoal de quem estava na Sede Nacional conforme o vento das eleições. Mais uma vez, parte da estrutura se habituou a esta maneira de fazer as coisas.
Lembro-me no último congresso o problema que foi fazer listas, muitas das pessoas queriam tudo sem nada ter ou querer dar à Organização. Muitos estavam preocupados ou com o seu status, (estar acima de outro para dizer que era mais importante e valia mais), ou com o seu futuro no PS, pois a idade não perdoa. Algumas cedências foram feitas, admito, pois infelizmente fazer política tem destas coisas. Mas nunca esperei, que após este processo, certas pessoas continuassem com a sua ambição desmedida, querendo mais para si e faltando sucessivamente com o que se tinham comprometido, nem que seja pela sua ausência permanente.
Quando chegamos à Sede Nacional, verificamos como o descontrole se alastrava da estrutura para a parte financeira. Telemóveis presentes no imobilizado da JS nem vê-los, (alguns dos que muito falam hoje, talvez um dia me pudessem esclarecer porque sobre este assunto acusaram outros de coisas que são da sua responsabilidade), material de expediente e discos regidos desaparecidos ou apagados também me ajudaram a perceber como as coisas eram e como deviam deixar de ser. E meus caros camaradas, fazer contas, todos nós, ou pelo menos a maior parte, sabe fazer. Mas cumprir regras contabilísticas, e ter transparência nas contas, já custa e dá muito trabalho. Isso tenho a certeza, pois a nós deu muito trabalho compor a incompetência dos outros.
Mas há medidas simples, que custam a "alguma" estrutura, que podem ser estruturais. Uma delas que muitos problemas me deram foi a simples eliminação do corrector do livro de registos da Sede Nacional.
Parte da estrutura não gostou, pois esta estrutura estava habituada a viver do cacique e da mediocridade do mexerico e da disputa de lugares. Muitos começaram a imaginar o que seria ficar 9 meses sem oferecer ou disputar um lugar, em ter mais votos que outro, em chantagear para beneficio próprio, em atacar outros só porque tem medo deles.
Assistimos a situações estranhas, alianças de quem sempre se combateu por pensarem, pensávamos nós, de forma diferente. Percebemos que de facto antes não tinham nada em comum, percebemos agora que de facto têm:
-A ambição desmedida de chegarem ao PODER!

Obviamente não tenho a arrogância de dizer que este foi um mandato perfeito, muitas coisas correram menos bem do que esperávamos, outras sim, superaram as nossas expectativas. Muito trabalho temos ainda pela frente, e estou certo, muitas dificuldades também.


A reacção corporativa de quem se habituou à "forma de fazer coisas do antigamente", é forte e doentia na busca da mediocridade, o que nos dá, e a mim particularmente, mais vontade de continuar a mudar e transformar a estrutura no sentido de termos "Uma Organização JS ".

2 Comments:

Blogger Tiago Gonçalves said...

Concordo totalmente. Um abraço.

12:27 da tarde  
Blogger Gustavo "Che" Gouveia said...

Boas questões... e eu, quando tenho as minhas eleições??????=\

2:14 da manhã  

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