terça-feira, setembro 06, 2005

A nossa bela organização




Passou sensivelmente um ano, desde que este secretariado nacional tomou posse. A nossa organização manteve-se à altura da sua história, mas com novos protagonistas.

Olhando para trás vejo muitos erros que foram cometidos, nenhum particularmente grave, mas também vejo pessoas, colegas, amigos, dispostos a ouvir e a corrigir esses erros.

Muitos, especialmente aqueles que desde o início esperavam o nosso fracasso, procuram avaliar e julgar tudo o que fazemos. Admito que não me surpreende e talvez resida aí, nessa atitude pessimista e redutora, o mal da nossa organização.

Para eles talvez seja um dado adquirido tudo o que foi feito, a verdade é que muito do que foi feito não existia e cerca de 80% deste secretariado nacional nunca o tinha sido antes, e no que diz respeito à organização, que é o tema que abordarei, temos um Secretário Nacional de Organização que nunca o tinha sido antes.

A nossa oposição, não tenho receio de utilizar esta expressão, porque o tem sido desde o primeiro dia, sem nunca lhes ter visto um único acto construtivo, uma única opinião alternativa, quer política, quer em termos de organização, tem, desde o inicio, reagido a tudo o que fazemos. Talvez seja esse o melhor sinal que há, sobre quem é que hoje lidera e inova em termos organizacionais e políticos na Juventude Socialista.

Neste primeiro ano tivemos o teste dos testes, as Legislativas. Com pouco tempo de mandato e com pouca experiência estivemos muito bem. Nunca a JS tinha sido tão apoiada nas suas campanhas distritais. Ninguém no país inteiro pode-se queixar de não ter sido ouvido e que o Secretário Nacional da Organização, não tenha procurado ajudar a resolver o seu problema. Não tenho memória de um funcionário percorrer o país para distribuir material numa lógica de apoio de proximidade com a estrutura. Não tenho memória de uma campanha de outdoors feita com tanta clareza e frontalidade. E apesar de cada um registar com saudade caravanas nacionais do passado, não faltou esforço nem motivação pelo país a apoiar quem acreditávamos que iria ser o próximo Primeiro-ministro de Portugal.

E admitimo-vos que, apesar de para muitos ser um acto recorrente, soube muito bem ver o nosso actual Primeiro-ministro a elogiar o trabalho desenvolvido pela JS no discurso de vitória. Ninguém acharia incorrecto se não o tivesse feito e a verdade é que fê-lo porque sabe o que viu e acreditou no que disse.

Muitos Secretariados Nacionais, e em especial Secretários Nacionais para a Organização, ameaçaram e este fê-lo. Hoje já não temos núcleos fantasma a povoar a nossa organização.

Hoje não temos montanhas de fichas amontoadas na sede nacional à espera de ser introduzidas. Hoje não temos uma página de Internet desactualizada. Hoje não temos uma organização desorganizada contabilisticamente. Hoje um militante pode inscrever-se on-line com menos esforço, e o país não é Lisboa. Hoje não há atrasos na campanha para as eleições do secundário.

Muitos deram, uma vez mais, a organização do Congresso da ECOSY, da eleição do Vice-Presidente Francisco André, Vice-presidente com mais votos de sempre, da organização do Acampamento de Verão da JS, como um dado adquirido. Não o foi, exigiu o esforço político e organizacional do Secretariado Nacional e no caso do Acampamento de Verão, da Federação de Coimbra e da Concelhia da Figueira da Foz. Assim foi, porque os protagonistas souberam escolher as opções certas e trabalharam em equipa. Não posso deixar de destacar o papel que o estreante, em Secretariado Nacional, que se chama Pedro Vaz teve na organização destes eventos.

Hoje todos dão como dado adquirido que existirá apoio da JS às campanhas da JS para as autárquicas. Hoje também eu dou, porque tudo o que foi feito até aqui é merecedor dessa confiança e dessa segurança. Mas digo-vos já, que não correrá tudo bem, porque é mesmo assim, numa organização onde as expectativas são altas e os recursos escassos, não é possível satisfazer todos.

Muitos dão como dado adquirido o bom relacionamento com o partido, o espaço político, o apoio e o material que recebemos, mas devo-vos lembrar que nem sempre foi assim. Este relacionamento foi conquistado fruto de termos um Secretário-geral e um Secretário Nacional para a Organização que sabem estar à altura dos seus lugares nas reuniões que têm com o Partido e que se são o reflexo da nossa organização para a cúpula do Partido. E dessa boa imagem beneficiamos todos localmente.

Para nós a organização está primeiro e ainda espero uma atitude mais adulta, mais séria que quem se diz nossa oposição. Essa atitude, para ser séria, tem de começar pelo óbvio, que é elogiar o trabalho que tem sido bem feito.

Para bem dos militantes a JS tem quem a lidere, tem quem a faça estar à altura da sua história.

Apesar da pouca experiência que tínhamos superámos os obstáculos e mostrámos uma JS forte e preparada. Sabemos que tudo isto nos traz mais responsabilidades, mas nós temos aprendido com os erros e sentimo-nos mais preparados e mais capazes dos desafios que se aproximam.

Enfrentamos um mandato único, no qual somos confrontados com Legislativas, Autárquicas e Presidenciais. Um obstáculo superámos, falta-nos dois. Espero que a JS, nós, tenhamos consciência de perceber que mais importante que tudo é que as ideias que defendemos sejam as ideias que os jovens portugueses defendem, que os nossos políticos defendam e que sejam uma realidade amanhã.

Digo-o com muito orgulho que hoje vejo uma equipa, apesar de nova e pouco experiente, que estará à altura dos desafios.

Duarte Cordeiro